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Moral?

MORAL?


                     No Brasil, mulheres de biquinis causaram polêmica nos carnavais de quarenta anos atrás. Tangas na praia eram o "frisson" de 20 anos atrás. A moral evoluiu e o nú completo é o traje de gala, nos desfiles carnavalescos atuais. A evolução foi tal que uma coleira no pescoço de uma bem sucedida ex-esposa causa mais espanto que a nudez de suas colegas de passarela.

                     Já nos Estados Unidos (cuja vocação para o engodo (a) fez eleger Presidente o candidato que perdeu a votação e (b) fez invadir um país em busca de armas químicas que não estavam lá) peitos e palavrões têm ocupado a pauta do FCC (Federal Communications Comission).

                     Multas têm sido aplicadas e pronunciamentos circunspectos e repreensivos têm sido dirigidos à mídia eletrônica pelos membros da FCC, respaldados por sólida jurisprudência administrativa, da qual resultou um ìndex seculorum` de expressões banidas dos meios de comunicação de eletrônica. São cinco americanos (os Conselheiros do FCC) que decidem, em Washington, o que os outros duzentos milhões de concidadãos podem ver e ouvir; trata - se de rematado absurdo, como bem indicam Thomas G. Krattenmaker e Lucas A. Powe, Jr., em "Regulating Broadcast Programming", AMERICAN ENTERPRISE INSTITUTE.

                     Mas o que preocupa é a recente tendência de recomendar um atraso na exibição de programas ao vivo, mesmo que por poucos segundos, para viabilizar a censura de palavras proibidas pela mesma FCC. A recomendação está contida, por exemplo, no texto do "MEMORANDUM OPINION AND ORDER", que trata de reclamações contra várias empresas de radiodifusão na transmissão do "GOLDEN GLOBE AWARDS", que você pode ler em http://hraunfoss.fcc.gov/edocs_public/attachmatch/FCC-04-43A1.pdf o seguinte: "The ease with which broadcasters today can block even fleeting words in a live broadcast is an element in our decision to act upon a single and gratuitous use of a vulgar expletive."

                     O FCC propõe censura explícita sobre os conteúdos de programas ao vivo, como solução para proteger americanos contra um palavrão aqui e outro ali.